Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘chuvas rj’

O caos no Rio de Janeiro, castigado pelas fortes chuvas, tem pautado a mídia na última semana de forma cansativa.

A culpa, discutem os meios, seria da chuva ou da ineficiência política que durante décadas incentivou a favelização? Afinal, em 1960 10% da população carioca vivia em favelas. Hoje, 20% destas pessoas reside em condições precárias. No entanto, a discussão parece ganhar tom político ou social assistencialista, como é praxe num país que discute solução diante de um problema. É um erro.

As enchentes, deslizamentos, e tragédias causadas pela chuva são tão graves quanto os terremotos e erupções vulcânicas, que no Brasil, ainda não temos. Isso tem apenas um motivo, que ninguém discute a fundo: é ambiental.

O morro do Bumba, em Niterói, que deslizou e soterrou 50 casas e mais de 200 pessoas, foi construído sobre um depósito de lixo que funcionou até meados da década de 1980. Depois foi simplesmente aterrado e loteado. Sem tratamento, tal como sempre foram jogados ao ar livre, todo o lixo decomposto formou uma mistura de chorume e terra, e nenhum tratamento do solo foi feito para a ocupação que viria em seguida. Assim como este depósito, que aparece no documentário “L.I.X.O”, de Ronaldo German, feito em 1980, centenas de outras áreas recebem lixo sem tratamento, e postergam essa responsabilidade aos nossos filhos.

Como fruto do aquecimento global, a temperatura do Oceano Atlântico está 1,5 grau acima da média para esta época do ano, o que explica também as fortes chuvas que causaram tragédias em Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, e mais recentemente a Bahia, Pernambuco e Sergipe. A fórmula é simples: o aquecimento das águas entra em choque com as frentes frias do sul, o que potencializa os temporais, e como conseqüência, a chuva tem sido cada vez mais forte.

A ocupação irregular levou a um problema de urbanização visto nas grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Belo Horizonte e nas capitais do Nordeste. Sem espaço nas grandes cidades, a população mais pobre, em geral migrante de outros estados, passou a viver de forma precária em bairros distantes e, especialmente no caso do Rio, nos morros.  Mas tudo isso é conseqüência. Por melhor que seja coordenada uma política de “desfavelização” este trabalho não irá resolver a questão ambiental.

O Brasil tem recursos naturais e incontáveis riquezas. No entanto, a natureza já mostrou que tem sido justa ao devolver para o homem, alguns problemas que ele pensava ser possível postergar. É preciso repensar a questão da sustentabilidade nos planos diretores para metrópoles, modificar os hábitos com relação ao uso da água que é um bem precioso. Igualmente importante é acelerar as políticas de inspeção veicular dos automóveis, transporte de massa, consumo de energia e dos recursos em geral, e promover iniciativas como a geração de energia limpa, o uso de veículos alimentados por energias renováveis, correta destinação do lixo e reciclagem, além de modificar completamente os sistemas de locomoção nas cidades, distribuição do verde e em hábitos simples que, a longo prazo, podem ajudar a reverter essa situação calamitosa que nos encontramos. Sem dúvida situações trágicas serão cada vez mais freqüentes se nada for feito. E a origem destes problemas é ambiental.

Todos estes problemas tem origem no desrespeito ao meio ambiente, incentivado ou ignorado pelos governos, e por nós mesmos, a cada luz acesa desnecessariamente, no desperdício de água, no incentivo à pirataria e outras práticas nocivas ao nosso próprio planeta.

ilustração do falecido cartunista Glauco, que sempre demonstrou preocupação com o problema do lixo.

Anúncios

Read Full Post »