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Posts Tagged ‘Escala Richter’

por Carlos Thompson

O Chile tremeu, e ainda treme, de vez em quando, porque desgraça pouca é bobagem.

Quase nove graus na Escala Richter é um absurdo de terremoto – o do Haiti, que matou umas 300 mil pessoas, teve magnitude sete.

No dia do terremoto, insatisfeito com as notícias aqui divulgadas, corri a acessar os sites dos jornais chilenos. Um deles estava bem atualizado. Outro, mais importante, não.

Pensei na instantaneidade da comunicação, nos dias de hoje.

Em 1556, a terra tremeu em Shensi, na China, e matou 830 mil pessoas. Mais ou menos a população, todinha, de São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Pensemos: quantos meses teria demorado para que as informações sobre o terremoto chegassem, digamos, à Europa? Ao Brasil, nem falo, porque ainda engatinhava como nação, sem periódicos nem cidades propriamente ditas.

A comoção que as grandes tragédias provocam é diretamente proporcional à capacidade que cidadãos de todo o mundo têm de se sentir próximos das pessoas atingidas. Ou seja, quanto mais sabemos, mais nos solidarizamos.

O Chile até fica bem perto de nós. São quatro horas e 15 minutos de voo entre São Paulo e Santiago. Menos do que demoramos, via rodoviária, para ir de São Paulo ao Rio. Quanto tempo levaria antes dos aviões de carreira? De navio, semanas, sem dúvida, porque teríamos de rodear a América do Sul, do Atlântico para o Pacífico.

A comunicação não somente encurta distâncias. Aproxima sentimentos. Irmana-nos com pessoas que têm culturas, gostos, linguagens e vidas muito, mas muito diferentes das nossas.

Júlio Verne, o genial escritor e visionário, falava na volta ao mundo em oitenta dias, já com o advento do trem. Bem, hoje, estamos instantaneamente em qualquer local do planeta, com um microcomputador ou laptop, um provedor de acesso à internet por banda larga e imaginação.

Neste mundo pequeno, todos são vizinhos. Não há antípodas, como chamávamos, no passado, lugares opostos, geograficamente, como Santa Vitória do Palmar, cidadezinha gaúcha que faz fronteira com o Uruguai, no extremo sul do Brasil, e Jeju-do, na Coreia do Sul.

Hoje, todos moramos em um pequeno círculo, abrangido por um e-mail, um post, ao alcance de um telefone celular, ou do Skype.

É por isso que o governo do Chile demitiu o chefe do Serviço de Oceanografia, que teria falhado ao fornecer informações claras sobre o tsunami ocorrido logo após o terremoto. No círculo de comunicação digital, não temos como evitar um terremoto, mas punimos a falha de informação.

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