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Posts Tagged ‘mudanças climáticas’

por Carlos Thompson

Muitas coisas têm me impressionado em meio ao terrível aguaceiro que se abate sobre São Paulo nas últimas semanas.

Primeiramente, como é pesada e triste a vida de quem depende do poder público para sobreviver, nas periferias e em regiões mais centrais, mas próximas a córregos. São tratadas, estas pessoas, como cidadãos de terceira categoria. Moram irregularmente, em regiões de manancial, barrancos, áreas sem infraestrutura alguma, e fica tudo por isso mesmo.

Além disso, fica claro que São Paulo terá de reverter o processo de asfaltamento de suas ruas e avenidas, sob pena de continuar impermeabilizada e, portanto, sujeita a enchentes mesmo com chuvas mais normais do que estas de janeiro.

Uma terceira constatação é que nunca ouvimos, lemos e vimos tantas referências a desastres climáticos. O pobre Haiti foi devastado por um terremoto, que terminou o serviço que os países ricos e governantes incapazes começaram, de destruição da qualidade de vida de sua população. Terremoto no Haiti, El Niño, confluência de umidade, oceanos aquecidos. Teríamos que trabalhar, rapidamente, para nos preparar para o pior, em termos climáticos. O que fazemos? Bem, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, culpa a natureza. Só tem razão, em parte, com relação ao lixo jogado em bueiros, córregos, rios e nas ruas.

As autoridades, contudo, bateram roupa. Demoraram a reagir, e não têm propostas inovadoras. Lembro que, há algum tempo, um dos candidatos a prefeito de São Paulo tratou do tema impermeabilização de ruas. Sugeriu o retorno aos vários tipos de piso porosos, no calçamento das ruas.

Qual a parte da mídia nisto tudo? A dificuldade de cobrir tantas catástrofes, de chegar ao âmago da questão, a inoperância dos governantes (municipal, estadual e federal), e o modelo errado de urbanização da capital paulista.

As chuvas deixaram mais do que desabrigados, feridos, mortos e caos urbano. Deixaram-nos a certeza de que não estamos preparados para as mudanças climáticas, nem para as águas de janeiro, parodiando a canção de Tom Jobim.

É pau, é pedra, é o fim do caminho.

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Carlos Thompson

A cúpula do clima, em Copenhague, Dinamarca, deu em água de batata. Nada, nada, de nada. Continuaremos na alça de mira do aquecimento global, sem saber se teremos, mesmo, um futuro nada promissor.

A questão que me move, contudo, é a comunicação equivocada, em minha opinião, sobre o tal aquecimento do planeta. Toda mobilização sobre grandes temas – como a redução da emissão de poluentes na atmosfera da Terra – depende da qualidade da comunicação.

A falha, em minha opinião, ocorreu no formato da divulgação: optou-se pelo clima de Armageddon, de Juízo Final. Ou mudaríamos totalmente nossa maneira de viver, arquivando hábitos como o do transporte individual pelo automóvel, ou derreteríamos, inexoravelmente, em um mundo cada vez mais quente.

O que acontece nestes comunicados de tudo ou nada? Ao contrário do que se imagina, desmobilizam as pessoas. Parece tão difícil melhorar a situação, que desistimos. A derrota se torna mais viável do que a vitória, então não vale a pena lutar.

Outro erro, foi não focalizar, acima de tudo, o que poderemos fazer, individualmente, sem depender de governos, de organizações.

Todas as metas são estratosféricas, aparentemente inatingíveis, inalcançáveis. Governos são movidos por votos e por interesses econômicos, dos reais detentores do poder. E esses não dão a mínima para um aumento de alguns graus daqui a 100 anos.

O resultado dos equívocos se viu na recente cúpula do clima. Os governantes não se entenderam sobre quem pagaria a conta. E ficou o dito pelo não dito.

Continuamos sob ameaça, sem qualquer expectativa de mudanças positivas.

Nem mesmo na comunicação do grave problema.

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